. Editorial .
Luís Miguel Ferraz
Director
Edição n.º 71 - Março de 2003
Pão para as crianças do padre João
Bem podemos dizer que o jornal deste mês é das crianças. E também dos adolescentes e jovens das nossas escolas. Nem sequer é pelo Carnaval, os tais três dias da folia que eles tanto apreciam.
O facto é que uma série de acontecimentos recentes nos proporcionaram várias páginas de informação. Informação positiva, ainda por cima, tão necessária nestes tempos em que tanto se fala de crianças por maus motivos. O topo da escala de aproveitamento a nível nacional conseguido pela Secundária da Batalha não pode deixar de ser destacado pelo orgulho que nos traz e pelo incentivo que deve dar a todos os alunos do nosso concelho.
Outro facto importante é a presença no nosso jornal (na página 10) de uma participação do Jardim de Infância da Golpilheira, que esperamos manter mensalmente no futuro. Era bonito que viessem também as Primárias encher algum do nosso espaço... o convite está feito.
Mas as crianças entram também neste editorial pelo correio electrónico que recebemos do nosso conterrâneo padre João Monteiro da Felícia, que está em Missão no Brasil. Passo a transcrever:
«Olá meu bom amigo Luís Miguel Ferraz. Saudações para você e família e todo o grupo da comunicação.
Estou chegando a casa, vindo de duas reuniões: a primeira foi de programação das coisas da Igreja referentes à campanha da fraternidade deste ano: "Fraternidade e pessoas idosas"; a segunda foi duma deputada de Brasília enrolando o povo. Coitado do nosso povo simples e sofrido deste país! É enganado continuamente e vive sempre na ilusão da esperança que lhe é apresentada. Tenho pena deste povo. A fome aumentou, a vida aumentou, as taxas aumentaram e tudo está como antes ou pior! A Igreja é que está segurando um pouco a fome de milhares de irmãos menos favorecidos.
Sei que Portugal está em dificuldades, mas não tanto quanto aqui na catinga brasileira. Às vezes penso... será que os meus patrícios me poderiam ajudar a dar comida a estas crianças que vão morrendo aqui junto de nós?
E no tempo de entrudo, que aqui é Carnaval, a miséria aumenta e é aproveitado para a vingança que está escondida no coração das pessoas. Todos os anos, no tempo do Carnaval, morrem muitíssimas pessoas, embora a lista que aparece publicamente seja bem pequena. Neste ano, o assunto está negro, pois só para o Rio estão enviando os militares, talvez uns trinta mil. Praticamente, estamos numa guerra civil, mas não declarada. É triste que muita gente coloque a máscara no Carnaval só para matar e fazer justiça pelas próprias mãos.
Dê saudações ao bom povo da nossa terra e aos meus familiares. Adeus.»
É sempre com alegria que recebemos notícias do nosso conterrâneo missionário. Pena é que nem sempre sejam as melhores. O seu trabalho, e o de tantos missionários por esse mundo fora, é, sem dúvida, a mão de Deus a acariciar os mais pobres e desfavorecidos. E é nossa missão cristã ajudar esse trabalho, na medida das nossas possibilidades. Porque nós queixamo-nos muito das dificuldades da vida, mas, graças a Deus, a maior parte de nós tem pão na mesa todos os dias e uma vida com muitas comodidades.
O seu pedido fez-me ter esta ideia: que tal uma campanha para ajudar as crianças do padre João? Fica desde já lançado o convite a todas as pessoas que queiram contribuir: basta entregar o donativo no bar do Centro Recreativo da Golpilheira ou enviar por correio para o nosso jornal, dizendo que é para a campanha "Pão para as crianças do padre João".
No próximo mês daremos mais novidades sobre esta campanha e publicaremos as ofertas recebidas (quem desejar anonimato deverá informar-nos). Iremos também combinar com o padre João a forma de entregar (talvez pessoalmente, se ele vier cá no Verão).
Para abrir a campanha, deixo a minha oferta pessoal de 50 euros.