. Editorial .

 

 

 

 

Luís Miguel Ferraz

Director


Edição n.º 72 - Abril de 2003

 

Solidariedade, um outro nome da paz

Em tempo de guerra, fala-se mais de paz. São mais artigos de opinião, são mais comentários televisivos, são mais manifestações de rua, são mais orações em grandes catedrais e em grandes corações.

Cada vez mais, também, tomamos consciência da impotência da pessoa, mesmo que unida a muitas outras pessoas, perante o poder dos impérios económicos, políticos e militares – por esta ordem.

Dizem os sábios que a democracia é o menos mau dos sistemas. Não o melhor, porque o horizonte da perfeição se situa a perder de vista. Menos mau, porque todos os outros já testados se revelaram piores. No meio desta irremediável contingência, sentimos que, neste "poder do povo", o povo é quem menos ordena.

Mas o tempo não é de cruzar os braços. Há sempre algo que ultrapassa todos os poderes e todas as contrariedades. Um algo que reside no modo como conduzimos a nossa vida e nos valores sobre os quais assentam as nossas decisões. Por isso, em tempo de guerra e de palavras de paz, venho falar de solidariedade. Este pode, de facto, ser um outro nome da paz. Quando alguém vai ao encontro do outro para o subjugar, para o combater, para o liquidar, eu posso sempre – mesmo que não consiga evitar o confronto – ir ao seu encontro para o apoiar, para o defender, para o libertar. Por isso, quando os exércitos se preparam para avançar de armas em punhos, há sempre quem imediatamente se prepare para avançar de pão nas mãos.

 

Nesta edição, a solidariedade está muito presente. Para começar pelo destaque, o restaurante do Centro tem nos seus objectivos o apoio domiciliário aos mais idosos e doentes e no seu espaço prepara-se um Centro de Dia. Outra forma de solidariedade, neste caso cultural, foi a praticada pela Caixa Agrícola, que, sem olhar a cifrões, ofereceu um imóvel para o serviço público. Depois, apresentamos um aniversário que a todos deverá sensibilizar, os 25 anos dos Bombeiros Voluntários da Batalha, os chamados "soldados da paz", cujo lema "sem olhar a quem" não podia ser melhor reflexo do que é ser solidário.

Mas o meu destaque vai para as campanhas em curso, por várias instituições. A "Ajuda à Igreja que Sofre", fundação dependente da Santa Sé, e a "Assistência Médica Internacional" estão a trabalhar directamente com as vítimas da guerra no Iraque. Um grupo da nossa Diocese continua apostado em ajudar o povo do Sumbe, uma comunidade angolana onde falta tudo. E poderíamos enumerar muitos mais exemplos. Aqui, sim, nós podemos fazer a diferença, pois sem as pessoas, as instituições não podem trabalhar. Aqui, sim, podemos fazer a paz.

 

E lembro, por último, a campanha "Pão para as crianças do padre João", que lançámos na última edição. Também este missionário da nossa terra luta para que as crianças brasileiras não morram de fome, vítimas da guerra económica que arrasa os mais desfavorecidos. Já recebemos algumas ofertas, mas ainda estamos na fase de divulgação. Agradecemos à Rádio Batalha o destaque que deu a esta iniciativa.

Em conversa com o padre José Ferreira, concordámos em unir esforços para criar uma ponte de ligação permanente entre a paróquia da Batalha e este missionário que dela é natural. Assim, a porta está sempre aberta a quem quiser colaborar. Poderá entregar o donativo directamente ao pároco, por exemplo no final das missas ou na casa paroquial, ou deixar no Centro Recreativo da Golpilheira (aberto das 7h30 às 24h00), indicando sempre que é para esta campanha e deixando o seu nome ou pedido de anonimato.

 

Quem acredita na paz e se afirma contra a guerra, aproveite esta Páscoa de ressurreição para ajudar a que outros vivam. Porque praticar a solidariedade é, de facto, fazer a paz.

Desejo a todos uma Santa Páscoa!

 

« Página da Campanha