Campanha de Solidariedade

"Pão para as crianças do padre João"

 

Caríssimos amigos da nossa terrinha querida:

Já tenho saudades de todos vocês e por isso novamente aqui estou para um novo contacto e vos mandar notícias deste meu trabalho pastoral na cidade de Jaguarari. Esta é uma cidade pequena, com uns 6 mil habitantes. O município tem uns 30 mil habitantes. É nesta cidade que eu faço o trabalho pastoral missionário: a comunidade sede (paróquia), cujo padroeiro é S. João Batista, tem 112 pequenas comunidades; a comunidade de Nossa Senhora Aparecida ainda não tem capela para o culto e a população é incipiente; a comunidade de Santo António tem capela e é uma comunidade tradicional; a comunidade da Imaculada Conceição tem uma pequena capela que necessita de ser aumentada; a comunidade de São Cristóvão tem uma capela bonita, mas não tem comunidade formada – o povo que mora ali vem de fora e é paupérrimo.

Nesta situação, no momento, estou dando uma ajuda de 26 cestas básicas, de dois em dois meses, para aliviar a fome. A situação económica é coisa séria. Trabalho não há para todos. A prefeitura faz milagres para manter uns 800 trabalhadores. E o resto? O resto faz como pode e passa fome. A alimentação é muito pobre e as doenças são muitas. Quando podem vão para cidades grandes, mas ali a vida ainda é pior e quando voltam, voltam com problemas, vícios e outra religião. A família não se entende mais. Aqui chove pouquíssimo. Vocês podem imaginar o que é uma terra sem água!...

Por isso estou pedindo a vossa ajuda para a "Adopção Espiritual à Distância", que é uma maneira de diminuir a fome destas crianças. As ofertas podem ser deixadas nas casas da Consolata ou em outros locais, como família e jornal da Golpilheira. Muito obrigado. Se alguém desejar o nome da criança, a foto, a idade etc., eu posso fornecer todos os dados.

Recebi o jornal de Agosto e gostei de ver tudo e saber do bonito encontro dos Amigos da Consolata, em S. Bento. Vejo muito progresso para os nossos lados e é preciso continuar a luta para melhorar ainda mais, pois a Batalha, Leiria e toda a nossa região é muito importante para o turismo, religiosidade e riqueza do país.

Gostei e agradeço o esforço de tornar a nossa terra uma terra missionária de verdade, abraçando a causa da Igreja missionária além fronteiras. Ontem mesmo, o padre Zezinho disse uma coisa que chocou o Brasil: "Os meus bens são também do outro". E explicou: Se o meu irmão precisa, eu sou obrigado a ajudá-lo, até que ele supere aquela necessidade. Sim, porque o cristianismo nos ensina a fraternidade. Todos somos irmãos e o irmão ajuda o outro irmão. Eu mesmo já tinha percebido isto há muitos anos na África. Quando um irmão de Goa estava em dificuldade, todo o mundo o ajudava, para sair daquele sufoco e depois continuar a sua vida normal. Oxalá a lição sirva também para o nosso bom povo da Golpilheira.

Gosto de ver tudo o que se encontra no Jornal e muitos amigos eu reconheço pelas fotos. Gostaria de agradecer pessoalmente às pessoas que já deram o sinal de que não estão adormecidas, mas não tendo o endereço, aproveito para mandar através deste e-mail o meu sincero agradecimento.

Agradeço também a quem se disponibilizou para receber e enviar para a Consolata (Pe. Jaime) em Fátima. As notícias aqui não chegam logo. Soube apenas há poucos dias que outras pessoas já mandaram o seu contributo, através do padre José, missionário de corpo e alma, nosso pároco, e que vai continuar ajudando este pobre (miserável) povo. Muito obrigado a todos. Já dei 2 vezes a cesta básica a 26 crianças: Uma em Junho e outra em Agosto. De cada vez, paguei mais ou menos uns 250 euros. É uma gota de água no oceano. Há famílias que têm a morar na mesma casa até 22 pessoas! Não sei como é possível. As casas são pequenas e às vezes sem divisões, a não ser umas cortinas que criam uma certa privacidade...!

O meu desejo era chegar a umas 100 crianças, mas como faço sem a ajuda dos amigos? Continuo confiante de que Portugal também desperte para a partilha. O nosso povo da Golpilheira, que agora está em melhores condições do que há alguns anos passados, também sinta o desejo de partilhar o que de Deus recebeu.

Um excelente mês de Setembro para todos! Aqui, o mês de Setembro é o mês da Bíblia. Aqui nos encontramos no segundo semestre, pois o ano escolar e de actividades termina em Dezembro. Em Março, começamos o ano escolar e todas as actividades. Aqui para o Nordeste há uma excepção, pois as actividades normalmente começam após o Carnaval. Mandei estas informações para saberdes que enquanto vocês aí trabalham, nós descansamos; e quando vocês vão para férias, nós trabalhamos.

Saudações para todos, um abraço irmão, amigo e sacerdotal. Muito obrigado pelo vosso serviço missionário. Que Deus vos abençoe.

P. João Monteiro da Felícia